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O DOADOR
(composta em 11/12/1978)

(José Fortuna/Paraíso - grav. JOÃO MULATO E JOÃO CARVALHO)

Um casal de namorados Agnaldo e Leonor
Se amavam com ternura como a pureza da flor
Ainda não conheciam as amarguras da dor
Suas vidas pareciam um lindo barco a vapor
Deslizando sobre as águas e o vento sempre a favor

Mas um dia os olhos dela não tinham o mesmo fulgor
Porque em seu coração veio acender outro amor
Leonor casou-se com Pedro e num golpe traidor
O Pedro perdeu as vistas e assim lhe disse o doutor:
Só um transplante o salvaria mas faltava o doador

Agnaldo voluntário se apresentou no hospital
Dizendo que doaria os olhos ao seu rival
Pedro muito mais que eu necessita da visão
Eu enxergarei melhor com os olhos do coração
Já perdi quem tanto amo que me importa a escuridão

De que adianta enxergar se mais nada quero ver
Nada mais me faz sentido sem a luz do meu viver
Assim dizia Agnaldo: o meu mundo escureceu
Mas Pedro amanhã verá o sol que me pertenceu
O amor que no passado foi a luz dos olhos meus