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MOURÃO QUEIMADO

cururu

(José Fortuna/Sulino - grav. Sulino e Marrueiro)

Quando ainda era criança numa noite no passado
eu vi um clarão de fogo lá na mata do serrado
meu pai falou.:  “não se assuste,  é algum mourão queimado
que restou de uma fogueira no preparo do roçado”.

Pode parecer bobagem eu lembrar coisas assim
são pequenas grandes coisas que guardo dentro de mim
na fumaça dos meus rastros com dezenas de verões
deixei longe aquele fogo na distância dos sertões

Mourão queimado
junto aos sonhos de um menino
no serrado do destino
se fez cinzas como eu sou
Cinzas do tempo
na fogueira da lembrança
eu sou cinzas da criança
que o passado conservou.

Pelo cipoal da vida no sertão que não tem fim
vim vivendo e vim morrendo,  vim buscando alguém pra mim
esse alguém que eu procurava logo assim que eu encontrei
entre as chamas traiçoeiras dos seus olhos me queimei

Sou mourão esfumaçado como aquele do roçado
que eu vi quando criança lá na mata do serrado
só que aquele incendiou-se pelas mãos de um lavrador
e eu fui incendiado pelas chamas do amor

Mourão queimado
junto aos sonhos de um menino
no serrado do destino
se fez cinzas como eu sou
Cinzas do tempo
na fogueira da lembrança
eu sou cinzas da criança 
que o passado conservou.